Caros Amigos,
Por motivos diversos, não me foi possível alimentar este blogue desde há algum tempo.
Todavia, espero na medida do possível compensar-vos tal a 'pressão' a que me têm (felizmente) sujeito, motivo pelo qual desde já vos agradeço, no reconhecimento da vossa amizade, interesse e consideração.
A todos vós, o meu obrigado.
sábado, 18 de junho de 2011
quinta-feira, 10 de junho de 2010
HOMEM

Espécie única, indefinível
Sensorial e cognitivo
Racional, intuitivo
Porventura imperceptível.
Todos os seus gestos
Polvilham mil desejos
Em que mesmo nos ensejos
Disseminam os seus restos.
Entre alegrias e tristezas
Por caminhos sinuosos,
Ressurgem anseios vigorosos
Mesmo fermentando tibiezas.
Por mais epítetos lançados
Jamais será compreendido
Porque ele vive e sonha, sentido
Num simples lançar de dados.
É esta a realidade crua
Nas passadas inquietas da vida,
Dessa vida irremível e tida
Como espuma despida e nua.
Fernando Peixoto © 2001
Fotografia de Jorge Feteira - www.olhares.com
domingo, 23 de maio de 2010
INTROSPECÇÃO

Está tudo tão claro
É tão raro...
Estar assim.
Parece que o tempo pára
Está tudo assim
Estranhamente frio
Luzidio e triste
Como arma em riste...
Parece um rio
Que aflui em mim.
É um espaço reflectido
Que deriva p'ró mar
Espectro vivido
Que sabe escutar.
Perpetuado em mim,
Silêncio que menstrua
Comunica e desagua...
Simplesmente assim.
Porto / 1996
Fernando Peixoto ©
sexta-feira, 26 de março de 2010
PSD: Quo Vadis?

Precisamente hoje, 26 de Março de 2010, o Partido Social Democrata vai a eleições internas.
Muito mais do que eleger um líder – e restante entourage – poder-se-á estar na iminência de eleger o futuro Primeiro-Ministro de Portugal.
Obviamente que na vida nada é definitivo, quanto mais na política cujas verdades de hoje são, não raras vezes, as mentiras do amanhã. Contudo, a cartada que o PSD vai jogar, responderá por si num prazo bastante curto. A discussão do Orçamento Geral do Estado, a decisão acerca do Programa de Estabilidade e Crescimento e, numa fase posterior, a eleição presidencial, constituirão os grandes desafios para a nova direcção nacional que vai hoje a sufrágio.
Pedro Passos Coelho, um histórico do partido e ex-presidente da JSD, foi o primeiro a lançar a candidatura, se bem que, efectivamente, esta mais não é que o prolongamento sublimado da anterior. Ademais, coloca-se manifestamente na pole position desta eleição, em virtude de ter uma estrutura desde há muito preparada para o efeito.
Paulo Rangel, recente militante no partido e com uma ascensão meteórica, antigo secretário de Estado da Justiça, ex-militante do CDS-PP, foi o único social-democrata a conseguir uma vitória laranja face ao PS na era Sócrates o que lhe terá granjeado um capital político relevante.
José Pedro Aguiar-Branco, um clássico do partido, antigo ministro da Justiça, actual líder da bancada parlamentar, um bem sucedido advogado, parecia bem encaminhado não fosse a surpreendente entrada de Rangel (ou talvez não) na corrida, acrescido do facto de fazer parte do mesmo espectro partidário.
Castanheira Barros, militante pouco conhecido, parece querer ganhar alguma projecção mediática.
Independentemente de quaisquer elucubrações que se possam fazer, parece-me que os dados estão lançados.
Pessoalmente, antevejo uma vitória do ex-líder da JSD. E passo a explicar: foi o primeiro a entrar na corrida, tem o projecto mais desenvolvido e uma máquina a carburar há bastante tempo. Para além do mais, tem uma imagem telegénica e uma voz colocada. Acresce ainda o facto de estar ‘liberto’ da última direcção nacional do partido e potencia claramente aquele que foi o handicap de ter sido excluído das listas para deputados.
Por seu turno, Rangel poderá pagar caro as sucessivas hesitações quanto ao arranque da candidatura. Demasiado tarde, estou em crer. Porém, o tom utilizado na campanha, algo crispado, parece fazer recordar o pragmatismo seráfico de Sócrates. E a imagem não ajuda.
Por fim, Aguiar_Branco, terá conquistado uma posição destacada no partido embora não pareça que seja desta a afirmação definitiva a nível nacional.
Quanto às conclusões a equacionar, penso que a percentagem que Rangel vier a obter poderá determinar a unidade laranja no futuro próximo, a começar já amanhã.
Passos Coelho poderá ganhar a eleição mas terá de seduzir o partido. Com o desgaste do governo rosa, o amanhã far-se-á primeiro a nível interno e só depois num âmbito nacional. Uma vitória expressiva seria manifestamente um tónico suplementar, até para evitar ‘guerrilhas’ internas. No entanto, veremos.
Mas, parece-me óbvio, esta eleição constituirá um novo impulso na política nacional e até um desafio novo para o PS e para Sócrates. Porque, só nos testamos verdadeiramente e consequentemente revelamos, quando verdadeiramente desafiados e postos à prova.
Até amanhã…
© Fernando Peixoto
sábado, 19 de dezembro de 2009
SÓS

Para quê ocultar
O que em nós existe...
Quando sabes estar
O desejo subsiste.
O tempo tem raça
A memória perpassa,
Tu existes em mim
Simplesmente...assim!
Talvez sim, talvez não
Até podes abrir mão
Quem sabe um dia
Vivamos uma orgia.
Deseja-lo tanto...
Que não o ensejas
Sei que não sou um santo
E por isso me desejas.
Sei que para ti sou
Um mito a desvendar
Sabes que p'ra onde vou
Por ti estou a passar...
Podemos calar a voz
Que contudo sabemos
Que ambos nos temos
Quando estamos a sós...
F.P. ©
Porto, Dezembro de 1995
Foto: www.olhares.com
sábado, 14 de novembro de 2009
EBULIÇÃO

A mim
Tudo me chamam...
Cavalheiro, escritor
Poeta, galanteador
Entre outros demais.
Cantor de palavras
Actor de intervenção,
Liberto minha emoção
Esvaio-me de mão p'ra mão.
Sei que sou complexo
Que tenho um jeito sedutor
Mas que por detrás do amor
Existirá sempre o sexo.
Por vezes, não raras
Sem razões, sem nexo
Freudianas impulsões,
Torno-me pouco sensível
Talvez até imperceptível
Quiçá um reles compulsivo...
Talvez deliberadamente
Seja até um pouco louco,
Não o deixarei de ser
E de m'intrometer
Na ebulição difusa
De uma alma confusa.
O vento reclama
A brisa espairece
Quando ela me chama
Tudo o resto acontece...
Fernando Peixoto ©
(Novembro 1999)
(Imagem: www.olhares.com)
domingo, 8 de novembro de 2009
AMAR

Ir e voltar
Emergir
Saber estar
Imergir
Escapar e sorrir.
Saltar, beber
Falar
Escrever
Perorar... e ter.
Saber...ver
Analisar, prever
Pensar
Escutar, calar
Mas conter.
Dormir, acordar
Despertar
Sentir
Vir e aguardar
E fruir.
Desejar...atingir
Rir e chorar
Influir e ansiar
Sentir
Regressar e sumir
Enfim... amar.
Fernando Peixoto ©
(Fevereiro de 1995)
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