A meu Pai,
Agora que o tempo acelera
Perpassando célere como o vento
Se abre uma nova quimera
De querer, sentir e...invento.
Prostrado no espaço vazio
Deambulo entre nuvens e arcas
Universo de emoções parcas
Tabuleiro sem margens nem rio.
Agora que a memória desperta
Reavivando a alma que surge
A data impõe, o dia urge
Na saudade presente que aperta.
A noite chega depressa
Nos versos soltos da história
Que a lembrança atenta, essa
Transversaliza a memória.
Mais do que mil palavras, uma imagem. Mais do uma imagem vã, a lembrança na memória de uma história do amanhã...
Fernando Peixoto © Porto 2009
quinta-feira, 19 de março de 2009
terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Caros Amigos, com este poema abro uma excepção a este blogue cujas publicações são da minha exclusiva autoria. Aproveito para partilhar convosco um poema que me foi dedicado e oferecido pelo meu estimado Pai (daí estar em itálico), pela passagem do meu trigésimo aniversário em Outubro de 2003.
Após esta singela homenagem, continuarei a publicar exclusivamente textos da minha exclusiva autoria.
Um abraço deste vosso amigo,
Fernando Peixoto
AMOR AZUL
Ontem foi o tempo
em que tudo mudou
grito catárctico e anseio
libertação d’um receio.
Viagem sem volta
autismo de cor
que alimenta e solta
busca inócua d’amor.
E, se agora, não te afago
não te esqueço todavia
nesse universo aziago
que da noite se faz dia.
Hoje, me recuso aceitar
a impotência que respiro
sonho e penso, transpiro
em contigo, partilhar.
Qual desejo perpassado
no espelho reflectido
neste impulso incontido
és o meu filho desejado.
Se o longe se faz perto
nem sempre assim acontece
o devir logo é incerto
e a mágoa não fenece.
Nesse teu azul olhar
me revejo e contradigo
não sei se só, se contigo
de mim t’irás lembrar.
Se recuso a derrota
e projecto a vitória
a memória não suporta
que me esqueça da história.
Amanhã olharás o rosto
e verás um outro olhar
tomar-lhe-ás o gosto
e saberás perdoar.
E assim te desejo
o que a distância não apaga
um abraço, um beijo
nesta vida, nesta saga.
( Parabéns e um abraço de teu Pai, Fernando Peixoto © )
Outubro 2003
Fernando Peixoto (Pai)
sábado, 10 de janeiro de 2009
FALÁCIAS

O tempo vai passando
Na sequência natural
Cambaleando, anormal
Por si só, divagando
De um devir transmutado
Em périplos constantes
Passos funestos, errantes
Num passar malfadado
Os factos sucedem os ventos
Vagueando na brisa da manhã
Qual aurora travestida de sã
Em vãos de escada, momentos
Quando olhamos, extasiados
Vemos apenas uma aura de luz
Como leigos diante da cruz
Que amamos sem sermos amados
Agora que o tempo se finda
E as águas inertes se agitam
Mil sóis e luas nos orbitam
Que mais nos restará, ainda?
Fernando Peixoto ©
Porto, Novembro de 1999
domingo, 21 de dezembro de 2008
ABRAÇO

Abraço
Um para ti
Outro para mim
O mesmo para nós
Estende-se ao ignoto
Complacência divina
Em parcos corações
O pássaro canta
Primavera em flor
Miragem que encanta
Anestesiando a dor
Um abraço
Para a luz
Para a semente que germina
Na minha aldeia
Na minha cruz
Um abraço
Que se estende ao infinito
Por entre crenças da alma
Uma espécie de rito
A atracção pelo mito
Um abraço...
Eu dou.
Fernando Peixoto © (1994)
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Soneto à Alma

Melopeia de um canto nasalado
Do qual cuidadosamente se extirpou
Desvanece o percurso desditoso
No tempo indigente e resvalado
Raízes profundas e profícuas
Esvaem-se no fluxo percorrido
De caminhos e horizontes longínquos
Em nostálgicas passadas iníquas
São estas as imagens da certeza
São estes os prelúdios da destreza
Vida minha, alma tua que te foste
A nuvem perpassa no céu
O vento não é meu, é teu
Tu sempre foste… o meu outro eu
Fernando Peixoto
( Porto , Novembro 1997 )
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
O OUTRO LADO DA NUDEZ
Ontem surgi...
Nu e pelado
Nasci, cresci
E descobri...
Que o diabo sustenta
A mulher apoquenta
O dia anoitece
A tentação acontece.
Não é prece
É amor.
Não é dor
É paixão.
Não é fogo
É fusão...
É esta a verdade
De uma ténue vaidade
Duas faces...uma tez
Dois lados opostos
Mas ambos compostos
Pela mesma nudez.
Fernando Peixoto ©
(1996 - Poema expressa e exclusivamente realizado para a campanha publicitária do ESPAÇO T - exposição "O outro lado da nudez")
Ontem surgi...
Nu e pelado
Nasci, cresci
E descobri...
Que o diabo sustenta
A mulher apoquenta
O dia anoitece
A tentação acontece.
Não é prece
É amor.
Não é dor
É paixão.
Não é fogo
É fusão...
É esta a verdade
De uma ténue vaidade
Duas faces...uma tez
Dois lados opostos
Mas ambos compostos
Pela mesma nudez.
Fernando Peixoto ©
(1996 - Poema expressa e exclusivamente realizado para a campanha publicitária do ESPAÇO T - exposição "O outro lado da nudez")
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
ESCLARECIMENTO
CAROS AMIGOS,
APROVEITO PARA ESCLARECER QUE TODOS OS POEMAS, TEXTOS E/OU CRÓNICAS PUBLICADAS NESTE BLOGUE SÃO DA MINHA EXCLUSIVA AUTORIA (VER PERFIL DO BLOGGER), ESTANDO NATURALMENTE PROTEGIDAS PELO CÓDIGO DOS DIREITOS DE AUTOR.
É EXPRESSAMENTE PROIBIDO REPRODUZIR, NO TODO OU EM PARTE, SOB QUALQUER FORMA OU MEIO, ESTAS OBRAS AQUI PUBLICADAS.
AS TRANSGRESSÕES SERÃO PASSÍVEIS DAS PENALIZAÇÕES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO EM VIGOR.
ESPERO, NATURALMENTE, A VOSSA INTEIRA COMPREENSÃO NA MESMA RAZÃO PROPORCIONAL COM QUE CONTO COM A VOSSA ESTIMADA COLABORAÇÃO.
GRATO PELA ATENÇÃO, UM GRANDE ABRAÇO DESTE VOSSO AMIGO
FERNANDO PEIXOTO
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